Células da mãe permanecem no cérebro dos filhos, sugere estudo
Cientistas identificaram células maternas em diferentes regiões do cérebro e investigaram como elas mudam com o envelhecimento
A troca de substâncias entre mãe e bebê durante a gravidez pode ser mais duradoura do que se imaginava. Um novo estudo sugere que células maternas conseguem atravessar a placenta, chegar ao cérebro do feto e permanecer nesse órgão por muitos anos, possivelmente durante toda a vida.
A pesquisa, disponibilizada em 10 de junho na plataforma bioRxiv, ainda não passou pela revisão por pares. Mesmo assim, os resultados reforçam evidências sobre um fenômeno conhecido como microquimerismo materno, no qual pequenas quantidades de células da mãe permanecem no organismo do filho após a gestação.
Os pesquisadores, liderados por Sami Kanaan, do Fred Hutchinson Cancer Center, nos Estados Unidos, buscaram responder uma dúvida que ainda permanecia em aberto. Embora já fosse conhecido que mães podem carregar células dos filhos por décadas, ainda havia poucas evidências de que células maternas também conseguissem permanecer no cérebro humano.
Para verificar se células maternas permanecem no cérebro dos filhos, os pesquisadores compararam amostras de DNA de mães e crianças submetidas a cirurgias para tratar epilepsia. A análise permitiu rastrear células de origem materna misturadas ao tecido cerebral dos pacientes.
Elas foram identificadas em 26 das 37 crianças avaliadas, o equivalente a cerca de 70% da amostra. As células apareceram em diferentes partes do cérebro, incluindo o hipocampo — região ligada à formação das memórias, e áreas dos lobos frontal, temporal e parietal.
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Para descobrir se esse fenômeno também persistia ao longo da vida, a equipe analisou ainda amostras de tecido cerebral obtidas em autópsias de pessoas sem doenças do neurodesenvolvimento, desde fetos com 22 semanas de gestação até idosos com mais de 90 anos.

