Além da cura: a missão dos enfermeiros tratando pacientes paliativos
Profissionais acompanham sintomas, acolhem famílias e enfrentam o impacto emocional de cuidar de pessoas com doenças graves
Durante a Páscoa, uma menina de 7 anos com leucemia em estágio terminal recebeu a visita do irmão mais velho. A criança, que vivia no interior de Pernambuco e estava acompanhada por uma equipe de cuidados paliativos, sabia que o agravamento da doença também afetava toda a família.
Diante do irmão de 13 anos, ela fez um pedido: “Olha, tu tem que ser forte, corajoso, nada de ‘mufinisse’. O pai e a mãe vão precisar de tu. A mãe tá cansada, e eu volto já”.
A lembrança permanece viva para a enfermeira Andrea Tavares, que atua no auxílio a pacientes em cuidados paliativos na agência Cuidare de Alphaville, em Pernambuco. Especialista em lesões e mestre em cirurgia e dor, ela acompanhou a família durante os momentos finais da criança.
“Foi uma história marcante para todos nós. Foi a fé que a amparou. As coisas em que ela acreditava. E nós nos perguntávamos: ‘De onde vem tanta resiliência daquela criança?’. Desde então, eu vi outro significado na Páscoa”, recorda.
Histórias como a da menina fazem parte da rotina de enfermeiros que cuidam de pessoas com doenças graves, progressivas ou que ameaçam a continuidade da vida.
O trabalho envolve controlar sintomas, promover conforto, observar mudanças clínicas, orientar familiares e oferecer presença em momentos nos quais nem sempre existem palavras capazes de aliviar o sofrimento. Também exige preparo para lidar com a proximidade da morte sem reduzir o paciente à doença ou abandonar as possibilidades de cuidado.
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