
A caquexia é uma síndrome caracterizada pela perda involuntária de peso e, principalmente, de massa muscular. O problema é comum em pacientes com câncer avançado e pode comprometer significativamente a qualidade de vida.
Segundo a oncologista Stella Dourado, que atende na Clínica AMO, em Salvador, a condição está ligada às alterações metabólicas provocadas pelo próprio tumor.
“Em muitos casos, o câncer libera substâncias inflamatórias que modificam o metabolismo do organismo. O corpo passa a gastar mais energia e começa a degradar massa muscular, o que leva à fraqueza, cansaço e perda de peso”, explica a médica.
Primeiros sinais que exigem atenção
Os sintomas da caquexia podem surgir de forma progressiva. Entre os principais sinais estão perda de peso involuntária, redução do apetite, fadiga persistente e diminuição visível da massa muscular, especialmente nos braços e nas pernas.
A nutróloga Paula Machado Guidi, que atua no Hospital Samaritano Higienópolis, em São Paulo, destaca que a perda de peso sem explicação deve sempre ser investigada. “Em alguns casos, a redução de peso é um dos primeiros sinais de uma doença mais grave. Quando ocorre sem motivo aparente, é importante procurar avaliação médica”, afirma.
Além da perda de peso, outros sintomas podem aparecer, como fraqueza muscular, alterações no paladar, náuseas e sensação de saciedade precoce.
Por que a alimentação sozinha não resolve
Um dos maiores equívocos sobre a caquexia é acreditar que o problema pode ser resolvido apenas aumentando a ingestão de alimentos. Na prática, o processo é mais complexo.
De acordo com o oncologista Rafael Amaral de Castro, que atende no Hospital Santa Lúcia Norte, em Brasília, o organismo do paciente com câncer passa por uma espécie de “guerra metabólica”.
“O tumor altera o funcionamento do corpo, aumentando o gasto energético e liberando substâncias inflamatórias que aceleram a degradação dos músculos. Mesmo que o paciente se alimente melhor, muitas vezes o organismo não consegue recuperar essa massa muscular”, explica.
A caquexia pode ocorrer em diversos tipos de câncer, mas é mais frequente em tumores agressivos ou em estágios avançados da doença. Entre as doenças mais associadas ao quadro estão os cânceres de pâncreas, estômago, pulmão, esôfago e tumores de cabeça e pescoço.
Em alguns casos, a síndrome afeta a maioria dos pacientes com esses tipos de tumor, principalmente quando a doença já está em fase avançada.
Tratamento exige equipe multidisciplinar
O tratamento da caquexia envolve diferentes estratégias médicas. O acompanhamento nutricional é fundamental e geralmente inclui dietas ricas em proteínas e suplementos nutricionais.
Além disso, exercícios físicos adaptados, especialmente atividades de resistência, podem ajudar a preservar a massa muscular. Em algumas situações, médicos também utilizam medicamentos para estimular o apetite ou controlar sintomas como náuseas e dor.
Ainda assim, especialistas ressaltam que o controle do tumor continua sendo o fator mais importante para reduzir o avanço da síndrome.
Impacto no prognóstico e na qualidade de vida
Além de provocar fraqueza e perda de autonomia, a caquexia também pode afetar o prognóstico dos pacientes. A síndrome diminui a tolerância a tratamentos como quimioterapia e aumenta o risco de complicações, incluindo infecções.
Para os especialistas, identificar o problema precocemente faz toda a diferença. “Quando tratamos a caquexia desde os primeiros sinais, conseguimos melhorar a força do paciente, aumentar a tolerância ao tratamento e preservar a qualidade de vida”, afirma Stella.
Por isso, médicos reforçam a importância de acompanhamento contínuo com uma equipe multidisciplinar, incluindo oncologistas, nutricionistas e especialistas em reabilitação, para reduzir os impactos da síndrome durante o tratamento do câncer.
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