Transplante de rim da irmã devolve qualidade de vida à professora





A vida da professora Kesia Madureira Farias mudou completamente quando recebeu o diagnóstico de doença renal crônica. A descoberta aconteceu de forma inesperada, após uma sequência de pneumonias que não melhoravam.


Diante da persistência dos sintomas, os médicos decidiram interná-la para investigar o quadro com mais atenção. Foi nesse momento que veio a confirmação de que os rins já estavam comprometidos.


“Quando eu recebi o diagnóstico foi desesperador. Parecia que não tinha solução. Minha família inteira ficou muito preocupada, porque era algo totalmente novo para todos nós”, lembra.

Nos anos seguintes, Kesia passou a seguir acompanhamento médico e adotou os cuidados recomendados para tentar preservar a função renal. Naquele momento, procedimentos como hemodiálise ou transplante ainda pareciam distantes.


Com o passar do tempo, no entanto, o quadro começou a evoluir. Em 2024, os sintomas passaram a indicar que os rins já não estavam funcionando adequadamente. O cansaço constante e o inchaço pelo corpo eram sinais de que o organismo já enfrentava dificuldades para manter suas funções.


A confirmação veio no ano seguinte. Em 28 de maio de 2025, a professora iniciou as sessões de hemodiálise, tratamento que substitui parte da função dos rins ao filtrar o sangue.


A rotina passou a ser marcada pelas sessões de diálise realizadas várias vezes por semana. Apesar da adaptação difícil, o tratamento trouxe algum alívio físico, já que a perda da função renal vinha provocando fraqueza e indisposição.


“Para mim foi o momento mais difícil de todo esse processo. Parecia que todos os meus sonhos tinham sido interrompidos. Eu fiquei totalmente sem chão”, desabafa.

A possibilidade do transplante


Durante esse período, a família começou a conversar sobre a possibilidade de um transplante renal. Nas consultas médicas, surgiu a orientação de verificar se algum parente poderia ser compatível para a doação.


A irmã de Kesia decidiu realizar os exames necessários. Após os testes, veio a notícia que trouxe esperança para toda a família. Ela era compatível e poderia ser a doadora.


Mesmo diante da chance de receber um novo rim, Kesia conta que teve momentos de dúvida. O medo de que a irmã pudesse enfrentar algum problema de saúde fez com que ela pensasse em desistir da ideia.


Ainda assim, o apoio da família foi decisivo para seguir com o procedimento. O transplante foi realizado em 19 de dezembro de 2025. Hoje, a professora descreve o momento como um recomeço.


“Me sinto viva, realizada e cheia de amor e gratidão. O transplante representa para mim uma nova oportunidade de viver, cuidar da minha família e realizar sonhos”, afirma.

Para ela, a experiência também reforçou a importância da doação de órgãos. Segundo Kesia, esse gesto pode transformar completamente a vida de quem espera por um transplante.


Kesia no hospital para o transplante. Metrópoles
O transplante foi realizado em 19 de dezembro de 2025

Doença pode evoluir sem sintomas


Casos como o da professora ajudam a chamar atenção para as doenças renais, que afetam milhões de pessoas e muitas vezes avançam sem apresentar sinais claros nas fases iniciais.


A coordenadora da Nefrologia do Hospital Anchieta, Helen Siqueira, explica que a ausência de sintomas no começo da doença é um dos principais desafios para o diagnóstico precoce.


“Muitas vezes a doença não apresenta sintomas nas fases iniciais. Muitas pessoas só descobrem quando a função dos rins já está bastante comprometida. Por isso, exames simples de sangue e de urina são fundamentais para identificar alterações precocemente”, afirma.

Os rins são responsáveis por filtrar o sangue, eliminar toxinas e ajudar na regulação de diversas funções importantes do organismo. Quando deixam de funcionar corretamente, vários sistemas do corpo podem ser afetados.


Entre os principais fatores de risco estão diabetes, hipertensão, obesidade, histórico familiar de doença renal e problemas cardiovasculares.



De acordo com a especialista, a diabetes pode danificar os pequenos vasos responsáveis pela filtração do sangue, enquanto a pressão arterial elevada também provoca lesões nessas estruturas ao longo do tempo.


Quando a doença renal evolui e os rins perdem grande parte da capacidade de filtrar o sangue, tratamentos como a diálise passam a ser necessários. Em alguns casos, o transplante se torna a alternativa para recuperar a qualidade de vida.


“Mantendo hábitos saudáveis, controlando doenças crônicas e realizando exames periódicos é possível preservar a função renal e evitar complicações”, orienta Helen.




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