
No sertão da Bahia, um grupo de mulheres sustenta a família com um trabalho duro: quebrar rochas brutas para transformá-las em paralelepípedos. Foi sob o sol da Chapada Diamantina, que o fotógrafo e jornalista Alexandre Augusto transformou essa realidade no livro de fotografias Mulheres de Pedra, lançado em janeiro deste ano.
A obra revela a rotina de trabalhadoras que vivem da pedreira. O livro apresenta 58 fotografias que mostram uma realidade que atravessa gerações: mães, filhas e netas submetidas a um trabalho desgastante e pouco debatido publicamente. Após horas nas pedreiras, muitas ainda assumem as tarefas domésticas e o cuidado com a família.
“Essas mulheres trabalham na pedreira sob o sol forte, cuidam da casa, dos filhos e, quando a noite chega, ainda há comida pronta na mesa”, afirma Alexandre. “Minhas fotos tentam guardar essa força silenciosa, que resiste sem aplauso, sem discurso e sem proteção.”
O projeto documental começou em 2015 e tem um primeiro livro publicado em 2018. Dez anos depois, o fotógrafo retornou à região para reencontrar algumas das mulheres retratadas nas primeiras imagens.

Segundo ele, algumas conseguiram melhorar minimamente as condições de vida graças ao trabalho com a pedra. Conquistas como a compra de uma geladeira ou até de uma moto são fruto de décadas de esforço e de milhares de pedras quebradas, cada uma vendida por cerca de R$ 0,15.
“Agradeço a Deus todos os dias pela pedra. Foi com a pedra que criei meus filhos. É com a pedra que hoje eles criam meus netos”, relata uma das trabalhadoras.
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