Medicamento usado em pacientes com demĂȘncia pode aumentar risco de AVC





Um estudo envolvendo mais de 165 mil pacientes com demĂȘncia no Reino Unido aponta que tratamentos realizados com o medicamento risperidona – antipsicĂłtico comumente indicado para tratar agitação grave em pacientes com declĂ­nio cognitivo – podem aumentar as chances de acidente vascular cerebral (AVC).


Publicado no British Journal of Psychiatry, ligado Ă  Cambridge University Press, em 8 de março, o estudo revela que o aumento de risco de AVC em pacientes que tratam algum tipo de demĂȘncia pode ocorrer, inclusive, em idosos que nĂŁo apresentam histĂłrico de doença cardĂ­aca ou AVC. A descoberta desafia suposiçÔes anteriores de que alguns pacientes estavam seguros ao usar o medicamento.


Como decorreu o estudo


Foram coletados registros de saĂșde anonimizados do National Health Service (NHS) entre 2004 e 2023. Os pesquisadores compararam os pacientes com demĂȘncia que recebiam a medicação com pessoas de caracterĂ­sticas semelhantes que nĂŁo estavam tomando o remĂ©dio.


O resultado mostrou que, em pessoas com risco de AVC, a taxa de pacientes que jĂĄ faziam uso da medicação e tiveram o derrame chegou a 22,2% — entre os que nĂŁo faziam uso da risperidona, a taxa foi de 17,7%.


Mesmo em pacientes sem histórico de AVC, o risco geral foi menor, porém, ainda perceptível: quem não tomava o remédio teve 2,9% mais chance de ter AVC, um pouco mais do que os que não faziam uso do medicamento, que tiveram 2,2% de risco. Os pesquisadores identificaram também que o risco de AVC era maior em indivíduos que realizavam tratamentos em períodos mais curtos, como 12 semanas, por exemplo.


Risco para todos os grupos de pacientes


Habitualmente utilizada em lares de idosos quando nĂŁo hĂĄ mais opçÔes de abordagens medicamentosas para o tratamento da agitação grave em pacientes com demĂȘncia, a risperidona Ă© o Ășnico medicamento deste tipo licenciado no Reino Unido.


Os pesquisadores afirmam que o risco de AVC associado ao uso do fårmaco era conhecido. Porém, eles não sabiam se alguns grupos de pessoas poderiam estar mais em risco do que outros. Os cientistas acreditavam que, se conseguissem verificar pacientes com características mais suscetíveis à substùncia, poderiam evitar a prescrição do remédio.


Cerca da metade dos pacientes com demĂȘncia apresenta agitação, sintoma que pode causar sofrimento para o indivĂ­duo, familiares e cuidadores e levanta novas preocupaçÔes referentes Ă  prescrição e monitoramento da droga.


Conforme as novas diretrizes atuais do NHS, na Inglaterra, a recomendação é limitar o tratamento com o medicamento a seis semanas. Os pesquisadores acreditam que o estudo pode ser usado em diretrizes atualizadas para garantir bases mais específicas das características de cada paciente.






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