Estudo identifica “portão inteligente” de proteção ao sistema nervoso





Um estudo publicado nessa quarta-feira (12/2), na revista científica Nature Neuroscience, descreve pela primeira vez uma estrutura de defesa do cérebro humano que protege o sistema nervoso central. 


A pesquisa identificou um tipo de célula até então desconhecido, que funciona como um “portão inteligente”, ajudando a bloquear a entrada de substâncias e células potencialmente nocivas ao tecido cerebral.


Os autores do estudo acreditam que ao compreender como essa barreira funciona e como pode ser alterada, pesquisas futuras poderão ajudar no desenvolvimento de tratamentos mais direcionados.



O trabalho revela a existência das chamadas células de barreira basal (BBCs), localizadas na base do pelo coroide — estrutura responsável por produzir o líquido cefalorraquidiano, fluído que envolve e protege o cérebro e a medula espinhal.


O plexo coroide já era conhecido por atuar como uma espécie de filtro entre o sangue e o líquido cefalorraquidiano. Agora, os pesquisadores do Departamento de Biologia Molecular Biomédica, na Universidade de Ghent, Bélgica, mostram que existe uma camada adicional de proteção. 


As células da barreira basal formam uma vedação física muito organizada, criando uma divisão clara entre três regiões:



  • O plexo coroide;

  • O líquido cefalorraquidiano;

  • O tecido cerebral;

  • .


Na prática, isso significa que elas ajudam a controlar com mais precisão o que pode atravessar essas áreas — inclusive moléculas muito pequenas.


Como a barreira protege o cérebro e o sistema nervoso


O cérebro é extremamente sensível a alterações no ambiente químico e imunológico. Pequenas mudanças podem desencadear inflamações ou comprometer o funcionamento dos neurônios.


Segundo o estudo, essas células funcionam como um selo adicional de proteção, reforçando outras barreiras já conhecidas, como a hematoencefálica, que regula a passagem de substâncias do sangue para o cérebro.


Em situações de inflamação, essa vedação pode ser afetada. Isso permitiria que as células do sistema imunológico, vindas do restante do corpo, alcançassem o cérebro — um processo que pode estar envolvido em doenças neurológicas.


A identificação dessa nova estrutura amplia o entendimento sobre como o cérebro se protege. Até então, acreditava-se que as principais barreiras eram a hematoencefálica e as estruturas do próprio plexo coroide. A descoberta mostra que o sistema de defesa é ainda mais complexo.


Além de aprofundar o conhecimento básico sobre o funcionamento cerebral, o achado pode orientar futuras pesquisas sobre inflamação, doenças neurodegenerativas e estratégicas terapêuticas.


O cérebro depende de um ambiente extremamente estável para funcionar corretamente. A descoberta de uma nova camada de proteção mostra que ainda há muito a ser aprendido sobre como o sistema nervoso central mantém esse equilíbrio.






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